A afirmação de Jesus após o Benfica/Sporting: "Estamos habituados a defender com poucos! ", numa análise mais superficial, parece contrariar uma das máximas do futebol: "Numa equipa todos defendem e todos atacam!".
Efetivamente tal fato é a mais pura das verdades! No entanto, os jogadores de uma equipa, quando defendem não o fazem todos no mesmo âmbito, pelo que e voltando à afirmação de Jesus, levanta-se a questão: E os outros, que não fazem parte dos poucos, fazem o quê?
Eles também defendem, por via do condicionamento na participação no processo ofensivo por parte dos adversários que se encontram mais longe da bola e ao mesmo tempo oferecem à equipa condições para que a transição defesa ataque (TDA) possa ocorer com sucesso, garantindo o equilibrio ofensivo da equipa quando esta se encontra a defender.
A TDA, inicia-se com a recuperação da posse de bola, obtida por via de situações esquemáticas (pontapés de baliza, livre (in)direto.... ou lançamentos de linha lateral) ou de situações dinâmicas (desarme ou interceção), sendo concretizada com a manutenção da posse, cuja a forma varia de equipa para equipa ou até mesmo dentro da mesma equipa, em função da opções estratégicas, face ao contexto circinstacial do jogo. Para além disso, este momento do jogo prepara e condiciona o desenvolvimento do processo ofensivo, em função do método de jogo ofensivo preconizado.
O Benfica, é uma equipa que na sua matriz de jogo, após a recuperação da posse de bola, procura de imediato a progressão em direção à baliza adversária, com o objectivo de aproveitar eventuais desequilibrios decorrentes da transição ataque defesa do adversário.
É aqui que reside a importância dos outros, os que não fazem parte do grupo dos poucos. São estes que asseguram as condições para que a equipa, quando recupera a posse de bola, procure de imediato a progressão em direção à baliza adversária. Caso não seja possivel criar situações de finalização por esta via, asseguraram a posse de bola para uma segunda vaga do ataque, que se desenrola sustentado numa circulação vertical e pouco elaborada, sempre em progessão e velocidade ou por via do passe longo quase sempre em diagonal.
O Benfica, no seu upgrade, embora sem renegar à sua génese, contempla em momentos circunstanciais do jogo (ex: gestão de vantagem do resultado/tempo de jogo), a transição para uma posse em circulação, abdicando da progressão, mesmo em momentos em que recuperação da posse ocorre em zonas em que é possivel aproveitar o espaço na costas do adversário para o desenvolvimento do jogo vertical que carateriza a equipa encarnada. Nesta actualização do jogo benfiqista, a entrada de Witsel, principalmente, mas também a de Garay, assumem importância decisiva, garantindo maior segurança nesta ação do jogo.
Jesus, que está longe de ser um menino, percebeu que a TDA para progressão, é efetivamente rápida e dá frutos, quando é segura, bem como o ataque posicional em progressão. Quando não o é, dá amargos de boca e a bola deixa de ser redonda....
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