"O Mister nunca jogou à bola, não sabe como é", terá dito o espanhol Sergio
Ramos a Mourinho depois do clássico com o Barcelona, na sequência da análise das opções de marcação assumidas no canto que dá origem ao golo de Puyol.
Duas Champions, uma taça UEFA, títulos em portugal, inglaterra e itália e um prémio de melhor treinador do mundo, não são suficientes para apagar o estigma relativo à procedência de um dos melhores treinadores do mundo e de sempre no universo do futebol.
Efetivamente
no mundo do futebol, e não só, para muitos a procedência continua a ser
determinante para a competência. Este fato leva-nos para uma reflexão sobre
esta matéria, tendo como ponto de partida a questão: Quantos dos melhores jogadores do mundo,
foram também dos melhores treinadores ? Ou vice-versa...
Estabelecendo uma relação entre os treinadores de
topo dos últimos 40 anos e os jogadores de topo que atingiram esse patamar,
encontramos dois nomes: Cruyff e Beckenbauer.
O primeiro, destacou-se pelo trabalho que desenvolveu no Ajax e
em Barcelona, onde constituiu o Dream Team e a conceção de jogo que está na
origem do atual Barcelona. O alemão
conquistou o título nacional alemão e o mundial com a seleção. Ambos com uma carreira de curta
duração, embora por opção própria. Maradona, um dos melhores de sempre com
a bola nos pés, enquanto treinador, apesar de ter chegado a um mundial com a seleção
argentina, fê-lo
mais pela condição de deus
vivo, do que pela sua qualidade enquanto técnico.
No que diz respeito aos treinadores, Rínus Michels,
o mentor do futebol total, enquanto jogador chegou ao Ajax,
onde foi campeão, mas sem atingir um patamar elevado. Alex Fergunsson,
o construtor
do Manchester United
nos últimos 25 anos e o treinador mais bem-sucedido na história do futebol inglês,
enquanto jogador também nunca pertenceu à elite. Sacchi,
que nunca jogou futebol, no futebol italiano, marcou uma época e rompeu com
um estilo de décadas. Mesmo Guardiola,
longe de ter sido um jogador banal, nunca atingiu o patamar que já
alcançou enquanto técnico.
O pressuposto de que a procedência é determinante
para competência, não passa disso mesmo. Até porque, na saúde por exemplo, não consta que os melhores
cardiologistas do mundo seja doentes cardíacos, nem que esta condição seja requisito
na escolha do clínico por parte do paciente....

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