O
Athletic Club, mais conhecido como
Athletic de Bilbao, acaba de
conseguir o acesso à final da Copa do Rey, onde poderá conquistar o troféu pela
25ª vez.
O
clube, fundado por britânicos estabelecidos em Bilbao em virtude da industrialização
da cidade e por jovens da elite bilbaína que haviam voltado dos estudos na Grã-Bretanha,
recolheu sempre grande apoio junto da classe operária basca, ao contrário da Real
Sociedad, afeto às elites.
Símbolo emblemático da identidade basca, fruto da sua oposição ao regime franquista,
foi obrigado a mudar de nome para "Club Atlético de Bilbao", por não
ser permitido, durante este período a utilização de outra língua que não o
Castelhano. A identidade basca é ainda exacerbada, pelo fato do clube apenas utilizar
jogadores bascos. Podem até nascer fora da região, sendo no entanto imprescindível
que tenham origens bascas ou que tenham sido criados na cultura basca.
Com
base nesta premissa, o principal fornecedor de jogadores para a equipa é o
próprio clube, por via das suas equipas de formação. O que tendo em
consideração os resultados obtidos ( 8 Campeonatos de espanha; 24 Copoas del Rey; único clube a par do Real e do Barça que nunca foi despromovido à 2ª divisão) e face á vigência da lei bosman e ao poder
dos euros, deveria ser alvo de estudo por parte de muitos clubes, a começar
pelos portugueses.
Para um clube idealista nada melhor que um treinador que seja detentor do mesmo espirito. Bielsa, que poderia treinar um dos grandes da Europa, defensor do futebol ofensivo, vertical sem ser direto, da pressão em todo o campo, preferencialmente no meio campo adversário, escolheu o local onde poderia ser feliz e foi escolhido para recriar o futebol da equipa, associando a inteligência à reconhcida fúria dos leões bascos, conduzindo-os para a dimensão da inteligência emocional.
A
equipa, com uma média de idades de 24 anos no 11 , depois de várias experiências, estabilizou num dispositivo 1:4:3:3. Com Iraizoz na baliza, na
defesa Amorbieta, alterna entre a zona central e a lateral esquerda, consoante
a estratégia seja mais ou menos ofensiva. Na primeira situação San José é opção para a zona central e na
segunda e mais habitual, Aurternetxe, joga como defesa lateral. No meio campo,
Iturraspe é médio mais recuado, assumindo funções de equilíbrio participando na
saída em construção. Herrera liga a equipa e De Marcos é o médio de ruturas,
com movimentos verticais para a zona do avançado e diagonais, especialmente
para a esquerda. Na frente Llorente é a referência, enquanto que Suzaeta e Muniain jogam pelas alas, com este a derivar para o corredor central, deixando faixa para as descidas de Aurtenetxee e as diagonais de De Marcos.
Ofensivamente,
a equipa possui argumentos variados. Historicamente, o clube jogou sempre um
futebol direto assente numa elevada capacidade de luta. Bielsa não retirou
objetividade ao processo ofensivo, até porque é um defensor da progressão
rápida em direção á baliza adversária após a recuperação da posse. A equipa fá-lo
por via de ações de condução desenvolvidas pelos corredores laterais para cruzamento,
ou através da solicitação de Llorente, que oferece apoio frontal para Herrera
ou De Marcos distribuírem para as faixas ou o avançado por via da sua
estatura e através do seu jogo de cabeça, penteia a bola solicitando a entrada
em rutura de Munain, Suzaeta ou De Marcos. Esta última opção, embora pouco utilizada é igualmente considerada em ataque posicional.
É neste método ofensivo, que a intervenção de Bielsa e a transformação jogo basco mais se faz sentir. A
equipa, sem perder o objetivo da progressão, fá-lo de forma apoiada e assente
numa construção do processo ofensivo, que se inicia nos seus centrais e com o recuo de Iturraspe para zona entre os centrais iniciando saída em
segurança para o ataque, procurando que a bola chegue ao setores mais avançados, por norma
através dos corredores laterais.
Esta opção é claramente assumida com o recuo
de Javi Martinez para a zona central da defesa, para que a equipa
possua melhor capacidade de posse e de passe na zona de construção e se acentue
a capacidade de recuperar a posse de bola por via da intercepção em detrimento do desarme, suportada pela ocupação do espaço e corte de linha de passe em vez da recuperação no homem, assegurando uma transição dinâmica mais segura e rápida.
Chegada a bola ao setor intermédio, caso não consiga avançar por esse corredor lateral tendo em vista o cruzamento para área, a equipa, coordenada por Herrera, procura balançar o adversário por via da circulação, preferencialmente até ao corredor contrário e utilizando a largura oferecida por Suzaeta na direita e por Arturnetxe na esquerda ou a profundidade pelas diagonais de Muniain e/ou de De Marcos, para cruzar para área, procurando a referência Llorente e as entradas de Muniain, De Marcos ou Suzaeta e na entrada da área Herrera.
Defensivamente
a equipa, pressiona em todo o campo e de preferência no meio campo do adversário,
tal como Bielsa é defensor, evidenciando no entanto dificuldades em fazer o campo
pequeno quando não consegue parar o primeiro passe do adversário, quando este
promove uma transição em progressão e rápida em direção à baliza, bem como nas ações defensivas na
sua última linha em zonas próximas da baliza, onde por privilegiar o espaço, por
vezes ainda revela dificuldades em neutralizar o homem.
O Athletic Club já lá está. E quer seja com o Valência, quer seja com o Barcelona, dificilmente a final da Copa do Rey não será jogada com uma bola redonda.....


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