BOLA MESMO REDONDA

NO FUTEBOL TODAS AS VERDADES SÃO DISCUTÍVEIS...ATÉ PORQUE A BOLA NEM SEMPRE FOI MESMO REDONDA...



A TRANSIÇÃO É RÁPIDA E DURADOURA ?


Transitar significa a passar de um momento, local, condição, estatuto para outro. No caso especifico do futebol, em que duas equipas disputam a posse de bola, com objetivos antagónicos, alternando entre a fase de ataque e de defesa, a transição entre uma e outra dá-se consoante a perda ou  a recuperação da posse de bola.


A transição defesa ataque, inicia-se com a recuperação da posse de bola e conclui-se com o assegurar da sua posse, antecedendo, preparando a fase de ataque. Este momento de transição, de ligação entre as fases do jogo, decorre com base na interação estabelecida entre quatro elementos:

            -» Forma de recuperação da posse de bola

-» Zona de recuperação da posse de bola

-» Nível de organização do adversário no momento da perda

-» Opções táticas da equipa, em função do seu Modelo de Jogo ou estratégicas em situações específicas de jogo.


A transição defesa ataque ocorre de forma dinâmica ou não dinâmica, ou seja, sem ou com interrupção do jogo. Nesta última situação, incluem-se todas em que a recuperação da posse de ocorre por via da reposição da bola em jogo, através de pontapés de baliza, canto, livre…lançamento de linha lateral. A transição não dinâmica tem como contra, para a equipa que recupera a posse, o fato do jogo ser interrompido, o que possibilita a quem perde a posse o estabelecimento da sua organização defensiva.


A possibilidade de aproveitar um eventual desequilíbrio na organização do adversário durante o momento de transição, é uma das vantagens da transição dinâmica, cuja recuperação da posse de bola ocorre por via da interceção, do desarme ou por erro do adversário. Em virtude do fluxo contínuo do jogo não ser interrompido, procura-se de imediato a progressão em direção à baliza adversária, transportando rapidamente a bola da zona de recuperação para a zona de finalização.


A zona do campo em que se recupera a posse de bola, em conjunto com as opções táticas ou estratégicas da equipa e o nível de organização do adversário no momento da perda, condicionam a transição defesa ataque. Tomemos em consideração os seguintes exemplos:

Se a minha estratégia de jogo ou meu modelo de jogo, contemplar o contra-ataque como método ofensivo, através da solicitação de jogadores rápidos na frente por via um passe longo e para a frente, irá privilegiar-se a recuperação da posse de bola no setor mais recuado, de forma a aproveitar o espaço existente nas costas da linha defensiva do adversário.



Neste caso estaremos a falar de uma transição defesa ataque dinâmica, em progressão e direta.


Considerando a mesma zona de recuperação, mas em vez do passe longo a equipa privilegia o passe curto/médio, progredindo também de forma rápida em direção à baliza adversária mas através de sucessivos passes em progressão e com a intervenção de mais jogadores.


Estamos perante uma transição defesa ataque dinâmica, em progressão e em apoio, para ataque rápido.


Com a recuperação da posse em zonas mais adiantadas, a utilização do contra-ataque e do ataque rápido é igualmente possível, o que se torna mais difícil é a utilização da transição direta, predominando a transição defesa ataque dinâmica, em progressão e em apoio, através de um passe curto/médio ou em condução, por via da ação individual.   


Por outro lado, se com a recuperação da posse de bola, a minha opção não for a progressão ou se a reação do adversário à perda for eficaz, não evidenciando desequilíbrios na sua organização defensiva, será aconselhável não optar pelo transporte rápido da bola da zona de recuperação para a zona de finalização, promovendo-se uma transição defesa ataque dinâmica em apoio, retirando-se a bola zona de recuperação através de um passe para o lado ou eventualemente para trás, garantindo a posse de bola, para depois a aproximar da zona de finalização,  através do ataque posicional, continuado.




Em qualquer uma das situações abordadas a transição é sempre rápida. Esta afirmação é facilmente aceite no caso das transições dinâmicas em progressão. O mesmo já não se verifica na transição dinâmica em apoio, em que o processo de aproximação à zona de finalização é mais demorado.

A transição defesa ataque é sempre rápida, ou pelos deseja-se que assim seja, porque o que ela deve assegurar numa primeira instância é a manutenção da posse de bola, sendo para tal necessário retirá-la rapidamente da zona de recuperação. E se tal for conseguido em progressão, em direção à baliza adversária melhor ainda.

Mas a transição defesa ataque, não é todo trajeto, nem dura todo esse tempo, o que a transição procura assegurar à equipa que recupera posse de bola, é que esta seja redonda para que a equipa desenvolva o ataque….

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