BOLA MESMO REDONDA

NO FUTEBOL TODAS AS VERDADES SÃO DISCUTÍVEIS...ATÉ PORQUE A BOLA NEM SEMPRE FOI MESMO REDONDA...



NÃO RETIREM A CAMISA 10 DO JOGO...


Freitas Lobo num excelente artigo de 1998, relembra alguns dos eleitos que tiveram o privilégio de usar a mítica camisa 10, homenageando ainda a outra espécie de criativos, os extremos! Salienta a contributo destes artistas para a elevação do jogo à categoria de arte e alerta para o seu desaparecimento....

Efetivamente na seleção portuguesa que vai disputar o Euro 2012, o Carlos Martins é o jogador que mais se aproxima daquilo que é um camisa 10. E na categoria dos extremos, para além dos 4 escolhidos para essa posição, não se vislumbram grandes alternativas, quando há bem pouco tempo sobejavam…quer na zona central, quer para as faixas…
No futebol o aproveitar do erro do adversário é a estratégia dominante para vencer. Nesse sentido, predomina o rigor tático e a escolha recai sobre os jogadores que erram pouco e não sobre os provocam o erro no adversário. Procura-se desta forma a ordem, o equilíbrio, em que não há tendência para o movimento para além de um determinado modelo de comportamento, que acaba por ser repetitivo e previsível.
 É com base neste pressuposto que a formação de jogadores é desenvolvida, onde mais do que formar, formatam-se jogadores, através de processos onde são replicados os processos de treino adotados para os seniores, com a substituição do treino físico pelo rigor tático.
 No livro Introdução ao Pensamento Complexo, Morin refere que: “num universo de ordem pura, não haveria inovação, criação, evolução …a desordem pura, não permite nenhuma existência, uma vez que não haveria qualquer elemento de estabilidade para fundar uma determinada organização….”
Esta reflexão aplica-se no Futebol, como em qualquer outra atividade humana, sendo a organização a base na qual a criatividade se apoia para que possa surgir. No entanto, essa organização só cumpre a sua missão se for aberta e dinâmica, contemplando mudança, para que o emergir da criatividade no jogo, na equipa, seja subjacente a um determinado padrão, permitindo a evolução, do individuo, da equipa e do jogo para níveis de complexidade mais elevados, sem perda de identidade.
Com base nestes pressupostos, o Modelo de Jogo, consubstanciado pelos respetivos princípios de jogo, apresenta-se como o pilar que suporta o surgimento da criatividade, que segundo Damásio “consiste não em fazer combinações inúteis mas em efetuar aquelas que são úteis”, surgindo algo novo ou coisas antigas, já existentes mas com outra roupagem, reinventando-se, evoluindo…

Nesta categoria ficam dois exemplos, infelizmente nenhum nacional, de dois jovens camisas 10... Lucas/São Paulo/Brasil. ....

..... e Hazard/Lille(por enquanto)/Bélgica...

PS: Ambos só utilizam bolas mesmo redondas!



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