Perante a entrada de José Couceiro para director geral do futebol do Sporting, o comentário mais ouvido prende-se com o facto deste não marcar golos, que é o que a equipa precisa. Por isso, deve-se é contratar jogadores.É um facto, que são os jogadores e só eles que marcam golos. Mas nesta altura, o Sporting para além de marcar golos, precisa também de outras coisas, sob a pena de marcar cada vez menos golos.
A situação financeira do clube, como foi publicado há dias no Jornal de Noticias, é pouco favorável. E a desportiva também não é muito melhor. No entanto, não é caso único na Europa. O Feyenoord, um dos grandes da Holanda, é actualmente 13º na liga Holandesa, a com 4 pontos acima da zona de despromoção, não participa nas competições europeias e há algumas semanas atrás foi goleado pelo PSV. No pólo oposto o Dortmund. Lidera a liga Alemã com dez pontos de vantagem, mas em 2005 esteve perto da bancarrota. Este processo, assentou em várias vertentes:
- Estabelecimento de um conjunto de medidas de austeridade e rigor, por parte do director geral Micahel Zorc (jogador do clube durante 17 épocas) e postas em prática em conjunto com o Presidente Hans Watzke;
- Contratação e a manutenção de um treinador, potenciador do desempenho da equipa e do desenvolvimento dos jogadores;
- Aposta em jovens jogadores oriundos da formação, com entrada gradual na equipa ( Hummeles; Subotic; Sahin (08/09), Schmelzer; Bender Grosskreutz ; (09/10) Gotze (10/11);
- Contratações cirúrgicas e por valores pouco elevados, Barrios em 09/10, por 4.200 mil euros, Kagawa por 350 mil euros e Lewandowski por 4.750 mil euros em 10/11.
- Conjunto de fãs féis que garantem quase sempre 80.000 presenças por jogo em casa.
O Sporting encontra-se num ponto, em que inverte a tendência dos últimos anos e reinicia um processo rumo ao topo ou continua a em queda. A entrada de Couceiro, pode ser o detonador da inversão do trajecto do Sporting, não pelo individuo, mas pela transformação da politica desportiva do clube, com base na identificação do seu actual ADN, da sua cultura, dos seus pontos fortes, dos pontos fracos que são passíveis de alteração imediata e da minimização da interferência dos pontos fraco não facilmente alteráveis neste processo de reorganização, definindo-se claramente que clube existe, que clube se pretende que exista e qual o processo a seguir e as respectivas etapas a concretizar.
Tendo como referencia o exemplo do Dortmund, embora ressalvando as diferenças culturais, é notório há vista desarmada, um ponto a consolidar: a formação de jogadores e outro a reformular rapidamente: a contratação/transacção de jogadores. Mas existem outros! Este, é o desafio para as pessoas que se encontram à frente do Sporting, porque de outra forma a bola, em Alvalade, será cada vez menos redonda.
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