BOLA MESMO REDONDA

NO FUTEBOL TODAS AS VERDADES SÃO DISCUTÍVEIS...ATÉ PORQUE A BOLA NEM SEMPRE FOI MESMO REDONDA...



MAIS DE POSSE BOLA, LOGO MAIS PERTO DA VITÓRIA?

Na perspectiva de qual a melhor opção, continua o debate entre posse rápida do Benfica, como Freitas Lobo a define, e a posse/circulação do Porto. Em entrevista ao Record de domingo, José Peseiro tece alguns comentários interessantes sobre esta matéria. Salienta diferenças entre um e outro, virtudes e defeitos e a sua preferência em termos estéticos e competitivos.

A quantidade de posse de bola, é um dos parâmetros estatísticos considerados na análise dos jogos. A posse é condição imprescindível para a obtenção de golo. Ao mesmo tempo assegura que a equipa adversária não marque golo. No entanto, por si só não garante a obtenção do golo, nem domínio ou controlo do jogo. Apesar de ser a via para que tal se verifique.

Por outro lado, a cedência estratégica da posse ao adversário, é sinónimo de cedência do domínio do jogo, mas não do controlo do jogo, por via do condicionamento da acção da equipa em posse. O jogo do Inter frente ao Barcelona, na meia-final da Champions da última época, é um exemplo claro.

Nesta perspectiva, a qualidade da posse assume maior preponderância que a quantidade. A qualidade da posse, decorre da qualidade da circulação, que por sua vez assenta na segurança e na velocidade.

A segurança da posse, diminui o risco da perda e por inerência contribui para o equilíbrio defensivo da equipa. Este aspecto torna-se ainda mais consistente, quando as equipas definem zonas de risco para a perda, com a equipa predisposta para essa eventualidade. No entanto, a obsessão pela segurança faz com a velocidade da circulação seja mais baixa e com isso a capacidade para provocar desequilíbrios no adversário fica comprometida.

A velocidade, por sua vez pode ser perspectivada sob o ponto de vista da velocidade máxima ou da variabilidade da velocidade. Na primeira opção, são equipas atacam maioritariamente em progressão, provocando muitas dificuldades ao adversário, quando associada à segurança. Por outro lado, aumenta o risco em caso de perda, principalmente quando tal se verifica na transição defesa-ataque ou no início do processo ofensivo.

A variabilidade da velocidade de circulação, é uma característica das equipas que cultivam a posse, em que velocidade aumenta na razão directa da proximidade à baliza adversária, assumindo o risco nessa zona.

Nos jogos de rua, na infância, o dono da bola mandava no jogo. Pelo menos quando começava e acabava o jogo. No entanto, tal estatuto não lhe garantia o acesso à qualidade de jogo. Na alta competição verifica-se o mesmo. O facto de ser dono da bola, leia-se, ter mais posse de bola, não é condição para se ganhar. O que aumenta é a probabilidade de tal acontecer, principalmente se a bola for mesmo redonda.

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