BOLA MESMO REDONDA

NO FUTEBOL TODAS AS VERDADES SÃO DISCUTÍVEIS...ATÉ PORQUE A BOLA NEM SEMPRE FOI MESMO REDONDA...



SE HÁ DOIS OITOS, UM PODE SER SEIS?

No universo da matemática, dois oitos, seja pela soma (8+8) ou pela multiplicação (2x8), é igual a 16. No  mundo futebol, este raciocino leva-nos para outra leitura, ou seja, 1 deles tem que ser 6, ou seja o médio mais recuado. 
Ocupando o espaço á frente da linha defensiva no corredor central, mais recuado do que  os restantes médios, mais importante do nome que se lhe dá (cabeça de área, trinco, pivot, médio defensivo, volante), é o que ele pode dar á equipa em função das suas características e o que esta lhe pede, em função da conceção de jogo do treinador. A análise do Sporting ao longo desta época é um bom exemplo dos vários tipos de jogadores para esta posição e a da sua importância numa equipa.
Rinaudo, carateriza-se por ser um médio equilibrador/recuperador, com um bom sentido posicional, mais forte nas divididas do que no espaço, sendo capaz de participar no processo de construção, preferencialmente por via do passe curto. Mantém a equipa equilibrada, ligada em especial nos momentos de transição. Foi com ele que a equipa obteve os melhores resultados e desempenhos.
Com a ausência de Rinaudo, Carriço foi a opção e a equipa passou a ter um trinco nesta posição. O central, destaca-se nas ações defensivas, percebe a importância que a ocupação deste espaço tem para que não surjam adversários neste local, especialmente com bola controlada e de frente para os defesas centrais, o que no caso do Sporting pode ser mortal. E como se viu na eliminatória frente ao City ou no jogo da 1º volta na Luz, destaca-se ao vigiar de perto o jogador adversário mais criativo na zona do meio campo, ao mesmo tempo que procura recuperar o máximo de bolas.
No âmbito do processo ofensivo, quando pressionado, tem dificuldades em fazer recepções, ainda mais se forem orientadas para a baliza adversária, pelo que procura jogar simples, a um ou dois toques, entregando a construção do jogo aos outros médios ou escolhe a linha de passe mais fácil, procurando os defesas laterais ou centrais, lateralizando a circulação da bola em vez da progressão. Em alternativa procura jogar perto da linha defensiva para que receba a bola sem qualquer tipo de pressão e de frente para o jogo, em condições mais semelhantes às da sua posição de origem.
Com um jogador destas características, a saída de bola perde qualidade, o que para uma equipa que quer assumir o jogo é impensável. E com a perda desta na zona intermédia, as debilidades dos centrais frente a adversários rápidos ficam expostas
Com Renato Neto na posição existe intensidade, pressão e choque, precisando de evoluir na ocupação do espaço. Considerando que é um médio está melhor que Carriço na dimensão construtiva da função, embora seja exigível maior qualidade no passe e na receção, especialmente em situações de pressão, para que possa ser opção com regularidade.
A opção por uma dupla de médios, surgiu em Braga ainda na era Domingos e foi opção mais consistente na era Sá Pinto, com Elias e Schaars a serem escolhas, existindo ainda André Santos, embora pouco utilizado.
Tendo em consideração as exigências específicas da posição (sentido posicional, visão de jogo, solidariedade, facilidade de fazer recepções orientadas, capacidade de mudança de centro de jogo com passe curto e longo e de transporte pela condução) e as características dos jogadores, é ao nível do posicionamento que apresentam maiores lacunas para o lugar, sendo o holandês o mais forte nessa ação, oferecendo mais do que equilíbrio, estabilidade dinâmica, o que decorre da sua condição genética de médio de transição.
A génese destes jogadores pode colocar dificuldades em assegurar a referência da posição, aumentando o risco de se falhar posicionalmente, desequilibrando a equipa defensivamente. Entre os três, Schaars é aquele que tem maior sentido posicional e capacidade de recuperação, possuindo também capacidade para promover a saída da bola, quer em transição, quer ao nível da construção, por via da sua capacidade de passe, curto e longo. Elias, por sua vez, é mais forte na capacidade de ir e voltar e no transporte do que no passe. André Santos tem um pouco dos dois.

Sendo dois os jogadores na zona, é importante a existência de complementaridade nas suas características, sendo essa condição um bom ponto de partida para que o treino desenvolva a rotina de um deles ficar mais preso, enquanto o outro sai mais para o jogo, assegurando o equilíbrio de jogo posicional e a dinâmica de saída de bola, desfazendo a dupla e não a estabilidade da equipa.
Com a opção Schaars/Elias, perde-se a capacidade, o poder de recuperação de bola em zonas muito adiantadas, mas assegura-se a segurança na construção e a realização desta com uma bola redonda…resta saber com que bola jogará o Sporting na 5ªfeira….Carriço, Renato Neto ou André Santos?

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