BOLA MESMO REDONDA

NO FUTEBOL TODAS AS VERDADES SÃO DISCUTÍVEIS...ATÉ PORQUE A BOLA NEM SEMPRE FOI MESMO REDONDA...



NO MEIO É QUE ESTÁ A VIRTUDE...


A análise aos últimos três jogos do Sporting, pode ser entendida como um resumo da época e ao mesmo tempo uma projeção do que a equipa poderia ter sido ou pode vir ser.

Em Setúbal, o Sporting mostrou o porquê de ter abandonado os lugares da frente. Com a opção de Carriço para a posição de médio mais recuado, o habitual desde a lesão de Rinaudo, a equipa assumiu o jogo, embora com uma entrada amorfa, sendo os defesas centrais e em conjunto com o colega do meio campo, os responsáveis pelo primeiro momento de construção, ficando a nu a sua escassez de competências nesta matéria, mostrando-se incapazes de dar à equipa aquilo que ela precisava e que o jogo exigia: segurança na saída de forma a evitar a perda da posse de bola e inerentemente a exposição das suas debilidades em enfrentar adversários em velocidade quando têm muito espaço nas suas costas. Depois, o descontrolo emocional, face à desvantagem e ao desempenho fez o resto. À semelhança do que tem sido o Sporting pós Rinaudo.

O jogo com o City, veio salientar que a opção de Carriço para a posição de médio mais recuado não é a que melhor face às necessidades da equipa, exceto neste jogo. Com o Sporting, organizado defensivamente num bloco médio/ baixo, logo como menos espaço nas costas dos seus centrais e estrategicamente preparado para atacar através do contra ataque e/ou ataques rápidos, não necessitando por isso de um processo de construção elaborado e consequentemente da participação saliente quer dos centrais quer do médio mais recuado, nesse momento do jogo.

Carriço colocou ao dispor à equipa as suas melhores competências, ao assumir-se como um central à frente da defesa, fechando linhas de passe e marcando Aguero ou Silva. Recuperada a posse de bola, um passe para Schaars ou para um dos laterais que depois faziam chegar a bola ao tridente nas costas de Wolfswinkel, para o transporte e criação de situações finalização. No entanto, este não é o registo habitual da equipa, foi apenas uma adaptação às exigências do jogo, do adversário, uma vez que a nível nacional são aos adversários dos leões que assumem esta opção de jogo.              

Frente ao Guimarães, agora num contexto tinha de assumir o jogo, à frente da defesa na zona central do meio campo surgiu a dupla Schaars/Elias, com Matias a completar o trio meio campo, acentuando o seu posicionamento, ainda mais do que se tinha verificado com o City,  no zona intermédia ofensiva, ou seja à frente dos médios em vez de ao lado de um deles e atrás do avançado.
Com esta opção para a zona central meio campo, a fase construção é liderada pelo dois médios centrais, com os defesas centrais, oferecendo cobertura ofensiva aos laterais e aos médios centrais,  realizando passes de curta distância para um destes 4 jogadores que promovem, com maior segurança, a chegada da bola as zonas mais ofensivas, por via da condução de passe dos laterais e de passe dos médios
Desta forma, o Sporting chegou não só com mais qualidade na frente, promovendo o desequilíbrio do adversário ainda no setor intermédio, como reduziu o risco de perda nesta zona e consequentemente a exposição das já referidas debilidades dos centrais.       


Com a colocação de Matias na sua zona de conforto e a chegada da bola com maior qualidade  a esse espaço, seja pelo passe  de Schaars ou pelo transporte de Elias, a equipa ganha qualidade no último terço, qualidade essa que pode ainda ser acentuada com os movimentos interiores Izmailov, libertando o corredor para entrada de João Pereira ou para trocas posicionais/funcionais com Matias, o que a juntar aos movimentos de profundidade e largura de Capel, pode conferir uma elevada variabilidade de soluções para a criação de situações de finalização.

Este pode ser o ponto de partida para a criação de uma identidade de jogo, algo que só pode ser construído, por via do treino, não sendo possível  a sua compra, como se fosse um jogador.
 No jogo da próxima 5ª feira, face ao atual estado de desenvolvimento da equipa, á dimensão estratégica do jogo e as exigências e necessidades daí decorrentes, a colocação de Carriço na zona central do meio campo será a opção mais provável. Caso a opção seja consolidar a tal identidade, André Santos no lugar de Elias seria a escolha.  

Este é apenas um momento, que pode colocar o clube numa posição de destaque e de maior conforto, até porque terá mais a ganhar do que a perder, mas a construção de uma identidade de jogo é a maior de todas as conquistas que o Sporting precisa e que só pode ser conseguida pelos jogadores por via das competências conferidas pelo treino e pela sua aplicação na competição.
Não chega comprar jogadores. Da mesma forma que quando compramos bolas, é preciso enche-las para fiquem redondas…

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