BOLA MESMO REDONDA

NO FUTEBOL TODAS AS VERDADES SÃO DISCUTÍVEIS...ATÉ PORQUE A BOLA NEM SEMPRE FOI MESMO REDONDA...



ESTAR OU CHEGAR AO SÍTIO CERTO, NA ALTURA CERTA?


Estar no sítio certo, na altura certa.”, é uma expressão muitas vezes utilizada para verbalizar o aproveitamento de uma oportunidade nas mais diversas circunstâncias. No Futebol, enquanto atividade dinâmica, mais do que estar no sítio certo, é preciso fundamentalmente chegar ao sítio certo na altura certa.


O surgimento de André Martins na equipa do Sporting, tem-se verificado como um dos homens da zona central do meio campo ou na zona de criação como alternativa a Matias Fernandez, sendo um bom exemplo da forma de pensar exposta.
O camisa 28 do Sporting é forte na condução e na precisão de passe, quase sempre em progressão, tem criatividade e possui um drible curtoe contrlo de bola que lhe permite mudar de direção com facilidade, fugindo aos adversário e ao contato físico, precisando de melhorar no remate, ou pelo menos utilizá-lo mais vezes. Em suma, gosta de levar a bola e a equipa em direção à baliza adversária.


Ao ser colocado na posição de Matias, mais próximo do avançado, na zona de criação, procura-se certamente aproveitar a sua criatividade por via da sua capacidade de passe. No entanto, ao estar nessa zona o jovem médio leonino deixar de chegar e com isso perde-se muito do seu jogo.


Ao partir da zona intermédia, com a sua visão de jogo, capacidade de condução e passe participa na construção, levando a equipa e a bola para as zonas mais próximas da baliza adversária, onde ao chegar aproveita melhor os espaços livres, do que estando lá, para criar situações de finalização.   


Para aproveitar as suas capacidades e para que a equipa as possa utilizar em seu proveito, André Martins precisa de iniciar a sua ação, de pegar na bola na zona intermédia e com liberdade para se mover, chegar em condução ou em passe ao último terço.


Com a sua presença em jogo, a equipa e o jogador saem mais beneficiados, se este for um dos dois homens do meio campo, sendo o que sai mais dessa zona, fazendo a ligação com o terceiro médio (Matias) e os alas que estão próximos do avançado. Na ausência de um médio ofensivo/segundo avançado, se a equipa se estruturar 4x3x3,  André Martins deve ser um dois médios mais subidos.

Desta forma pode ser aquilo que é. Ou seja, um médio puro, que parte da zona de construção no meio campo e que sem estar na zona de criação, chega lá  com uma bola mesmo redonda nos pés ou para a receber....

2 comentários:

Tiago Pereira disse...

Boas, destaco em primeiro lugar a qualidade da tua análise em paralelo com outros post’s.
Sobre o miúdo há a dizer, acrescentando à tua passagem, e no binómio com Matias, a capacidade de recuperação/reposicionamento/equilíbrio que equipa ganha com André Martins. É óbvio, André Martins é jogador de 4x3x3 – Matias é um “10”. Quem fica a ganhar é o SCP, o seu treinador e equipa técnica que podem fazer diferentes abordagens em relação à constituição do miolo, dependendo do adversário.
Já não via na Liga Portuguesa o aparecimento de um jogador jovem português com estas características desde há muito tempo, comparando apenas, ainda que em moldes diferentes, com o Manel Fernandes e Moutinho.
Agora coloco-te uma questão, e que acho que a resposta mereceria um post. Estarão os “10” puros a morrer em Portugal? Eu diria que sim. E os dados mostram isso mesmo…
Boas escritas!

Alberto Carvalho disse...

Efetivamente o Sporting ou qualquer outra equipa, se num meio campo de três possuir um “8”; um “10” e um “6” fica a ganhar. Talvez o melhor exemplo disso seja o Porto no primeiro ano de Mourinho, com (6)Costinha; (8)Maniche e (10)Deco…Em relação à questão André Martins vs Matias, penso que perde tanto o André estar 10, como o Matias perde quando parte de zonas mais recuadas do meio campo, para depois chegar a 10…É um pouco como a teoria do pinguim (http://bolamesmoredonda.blogspot.pt/2012/03/o-pinguim-fora-de-agua.html).

Em relação aos 10 puros, vulgos criativos, de facto não abundam…quanto às razões para que tal se verifique, são várias as teorias. O declínio do futebol de rua, o surgimento das escolas de futebol, algumas delas verdadeiros aviários, com uma formação castradora, onde predomina a aplicação de treinos decalcados dos seniores, outrora físicos, hoje em dia com grande rigidez tática e nas equipas de séniores a preocupação com o equilíbrio defensivo, o não sofrer golos, que leva a que jogadores deste tipo sejam preteridos pelos comedores de relva…talvez por isso André Martins não tenha jogado no Belenenses, nem no Pinhalnovense…